Visualize uma rua onde transitam carros, pessoas e todos os elementos que compõe uma cidade grande. Você consegue ver o semáforo, a faixa de pedestres, as placas de sinalização e os desníveis na calçada? Pois bem, agora tire tudo isso. Tudo que for sinalização e elemento para a organização do trânsito deve estar fora da sua imaginação. Então, pense como ficaria a rua: carros batendo uns nos outros, pessoas sendo atropeladas, gritos, fumaça, confusão… O verdadeiro caos, não é mesmo?
Porém, pode não ser bem assim. Hans Monderman, engenheiro de tráfego holandês, pensou em uma alternativa bastante diferente e inovadora para resolver os problemas de trânsito de seu país. A ideia surgiu quando o governo holandês, cansado de tantos acidentes causados pelo número crescente de automóveis, convidou Monderman a criar um projeto que buscasse diminuir esses índices.
A premissa do projeto de Hans é muito simples e tem tudo a ver com o Trânsito + Gentil: o espaço público sempre pertenceu ao ser humano. Mas, com o passar do tempo e o número sempre crescente da população, foram criadas muitas regras para organizar o tráfego que, de certa forma, impediram as pessoas de circular livremente pelas ruas. Sem esse poder, as ações se tornaram automáticas e as pessoas deixaram de se enxergar. A partir desse momento, todos passaram a obedecer leis de trânsito, e começaram a prestar atenção apenas nos sinais criados pelo homem, esquecendo de olhar a sua volta e prestar mais atenção no próximo.
Hans Monderman sugere que o espaço seja compartilhado. A intenção é que as pessoas se comuniquem por olhares e assumam a responsabilidade de fazer da rua um espaço organizado e civilizado. Só o fato de parar para olhar e respeitar o outro, já faz com que você esteja mais atento ao trânsito e cause menos acidentes. Ao invés de separar cada forma de deslocamento, como por exemplo: bicicletas, carros e pedestres, ele diz que todas elas juntas podem funcionar bem melhor.

Para integrar todas essas formas de deslocamento, foi necessário estabelecer algumas regrinhas: o pedestre é sempre prioritário, depois vem a bicicleta e, em seguida, os carros. Aliás, o carro que vem da direita também tem preferência em relação aos outros. Além disso, a velocidade máxima é sempre 30 km/h, que é o máximo permitido para não se causar danos sérios a pedestres. Ou seja, você dirige olhando para as outras pessoas. Quando vê um pedestre que vai atravessar, para imediatamente e está sempre atento a sua velocidade. O responsável ali é você, e a sua segurança depende apenas de você mesmo.
O projeto de Hans Monderman foi aplicado na cidade holandesa de Drachten e conseguiu reduzir para quase zero o número de acidentes nas áreas onde foi implantado. Inclusive, no Brasil, mais precisamente em Salvador, existem áreas onde o conceito de espaço compartilhado é adotado e, de acordo com a Superintendente de Engenharia de Tráfego (SET), Cristina Aragón, o número de mortes no trânsito, em 10 anos, caiu pela metade.
Queremos saber o que vocês acham da proposta de Hans. Acham que funcionaria em cidades grandes como São Paulo, por exemplo, levando em consideração o número de pessoas que habitam a cidade? Vamos discutir maneiras diferentes para melhoria do trânsito e apoiar sempre a campanha do Trânsito + Gentil. Participem deixando um comentário pra gente!
Melhores fotos e vídeos produzidos pela galera no #showtmg!
#transitomaisgentil com Ângela Dip e Eduardo Martini
Seu Lili Feelings 




Comentário por Thiago Moura
Acredito que pode funcionar em setores centrais de grandes cidades ou em cidades pequenas.
O grande problema para a funcionalidade nas grandes cidades é que muitos motoristas deixam de prestar atenção a sua volta não apenas pelas regras de trânsito, mas também por conta de celulares, dvds etc.
Por isso repito, em vias simples e centrais de grandes cidades acredito que funciona, assim como em pequenas cidades. Do contrário, só reconstruindo a civilização.
Comentário por Luciana
O conceito parece ótimo, mas infelizmente não seria possível adotá-lo com sucesso aqui no Brasil pois, infelizmente, não temos cultura cívica para isso. Enquanto houver o pensamento individualista de muitos e a famosa “Lei de Gerson” que impera em muitas situações, conviveremos com o caos instalado no trânsito das grandes metrópoles brasileiras. Somente com investimento pesado em educação neste país, talvez um dia, esse sonho possa se tornar realidade.
Comentário por admin
Thiago Moura,
bem lembrado Thiago. Não são só os sinais de trânsito que distraem os motoristas né, antes fosse. Tem celular, rádio, gente lendo, se maquiando…As pessoas acabam se esquecendo que estão dirigindo e isso é um grande problema. Obrigado pela sua opinião!
Luciana,
infelizmente tem algumas ‘leis’ implantadas em nosso país, como por exemplo a “Lei de Gerson” que você citou, que não sabemos porque começaram nem de onde vieram mas são super difíceis de tirar de nosso país. Muitos problemas poderiam ser resolvidos se fossem olhados e cuidados separadamente, com investimento e muita força de vontade. Obrigado pela opinião também!
Comentário por Marcel
O fato é que o conceito não é novo. Trata-se de ANARQUISMO. Sim, Anarquismo.
Anarquismo: é a doutrina, teoria ou filosofia política que afirma que a autoridade política, sob qq aspecto, é desnecessária e indesejável. O anarquismo destaca as possibilidades de cooperação voluntária e ajuda mútua na vida do homem e ataca a cooperação conseguida pela força ou pela ameaça de coação externa… (Fonte: Dicionário de Ciências Sociais – FGV)
Infelizmente a doutrina Anarquista foi, ao longo dos anos, confundida com bagunça, caos, socialismo e tantas outras coisas que a afastam de seu conceito principal: o funcionamento do mundo através da cooperação. Como vimos no caso da Holanda e em Salvador (sim, é possível fazer isso funcionar no Brasil) é muito mais efetivo e muito menos dispendioso que fiscalização.
Comentário por admin
Marcel,
muito bem observado. Hoje em dia, o conceito de anarquismo esta bastante deturpado mesmo e é importante que a gente contextualize isso direitinho. Mas sendo anarquismo ou não, você acha que uma filosofia dessas teria chances de funcionar aqui no Brasil? Com o grande número de pessoas, carros e tráfego em geral? Com tantos outros fatores, além da sinalização de trânsito, para nos destraír enquanto estamos no volante? Há quem diga que até mesmo o anarquismo é uma doutrina totalmente utópica.
Mas daí entraríamos em uma questão política maior, e sairíamos do foco: o trânsito. E aí, acha que funcionaria num país como o Brasil?
Comentário por Marcel
Tanto acredito que defendo! Vejamos assim: porquê as pessoas tendem a dirigir mais lentamente na chuva? Porque elas sentem que estão de alguma forma menos aptas que antes. Seguindo o mesmo princípio, os motoristas devem diminuir a velocidade (já que isso sim agrava acidentes), diminuir as fontes de distração e ficar mais atentos ao trânsito quando não houver faixas, semáforos, guias, etc…
A idéia de que as pessoas são incapazes de se auto-organizar é falha. Tanto que a maioria das “organizações humanas” evoluem de organizações espontâneas que são “forçadas” a tornarem-se formais.
A auto-regulamentação é humana. Fazemos isso em nossas relações de amizade, por exemplo.
O Anarquismo está muito mais dentro de nós do que podemos imaginar.
Comentário por Lucas Ferreira Oliveira
Teroricamente funcionaria mas teria que ter muito mais de educação da parte dos motoristas e pedestres
Comentário por HILARIO UDO MORCHE
A proposta de Hans Monderman, expressa o ideal para um trânsito urbano. Ah, como eu gostaria que isso fosse no Brasil. Eu fico imaginando, os pedestres atravessando as ruas, os veículos automotores parando, dando a preferência a quem de fato esta pertence. Os automóveis e as motocicletas não desenvolvendo velocidades acima dos 30 ou 40km. Porém, a nossa cultura brasileira ainda está muito aquém para absorver esta proposta. Mas uma coisa é certa, um dia teremos que começar a implantar uma nova proposta para reduzir os tristes de sinistralidade das vias públicas em consequência do trânsito. Onde podemos começar?? O primeiro passo pode ser desenvolver o lobby, no sentido de convencer os políticos a criar projetos de campanhas a nível de Brasil, aproveitando o dinheiro que ja existe para este fim, mas que infelizmente não chegar até o seu destino final, refiro-me ao dinheiro do FUNSET. É sabido que os recursos desse fundo são fartos e não tem sonegação, porém, sua aplicação é dúvidosa. Isso está ao nosso alcance, uma andorinha só, não faz verão, mas juntos é possível mostrar a nossa força e multiplicar o desejo de tantos brasileiros.Possivel é, bastas acreditarmos e um dia lançar a primeira semente.
Comentário por admin
HILARIO UDO MORCHE,
bem pertinente o seu comentário! No final, você diz uma coisa que sempre dizemos em relação ao Trânsito + Gentil: “…uma andorinha só, não faz verão, mas juntos é possível mostrar a nossa força e multiplicar o desejo de tantos brasileiros.” é assim com a gentileza, que sempre gera gentileza. E é assim com tudo que a gente quiser multiplicar. Obrigado pelo comentário!
Comentário por Bruno
No Brasil não funcionará, no momento em que vivemos, o otimismo ajuda mas temos que ser realistas. Primeiro, vem a pupulação que não tem uma educação coerente, o governo não ajuda, o caus existe por causa dessa população que não tem noção do que é uma educação perante ao próximo. Para isso funcionar temos que ser mais educados com todos, isso tem que ser inicado desde criança, como será possivel reestrutura um pessamento de uma pessoa que não é educada, como mostrar para ela que não se deve ultrapassar um certa velocidade. Para termor um trânsito melhor, devermos seguir as normas de trânsito primero, se isso não funcionar, como funcionará sem sinalização?
Comentário por PROF. JORGE VANZUIT
Sou o criador do Programa Volvo de Segurança no Trânsito -programa mundialmente premiado – oficial superior da polícia militar do paraná no po to de major da reserva- trabalhando há mais de 20 anos na área de trânsito urbano e rodoviário tanto operacionalmente como na área de ensino. Atualmente coordenador de projetos especiais da FGV-ISAE. Estou às ordens para contribuir comovoluntário.
Comentário por Marcel
Experimenta tirar toda a sinalização, guias e tudo mais, coloque uns policiais e garanta o cumprimento da lei que eu garanto que a falta de educação passa.
Comentário por Bruno
Primeiro tem-se que reestruturar a papulação impondo respeito, ética e o principal á educação. Na minha opinião, não devemos pensar em policiais para esse trabalho, deve-se ter pessoas qualificadas e treinadas para esse tipo de trabalho, ter mais palestras nas periferias, colocar alguns outdoors mais próximo das periferias divulgando esse tipo de campanha.
Comentário por Carlos
Bom, no texto as motos não foram citadas, e como os motoqueiros acham que sempre têm a prioridade, então não funcionaria, já que o pedestre aqui em São Paulo não pode nem usar a faixa destinada a ele pois quando as motos respeitam o semáforo, estão paradas em cima dela. Nosso trânsito realmente é caótico, mas nossa educação é lamentável…
Comentário por Paula Margarida Pereira
Na minha opinião funciona, em cidades grandes mas São Paulo, por exemplo, teria que tirar pelos menos 40% dos carros da rua, se tirassem os carros sem licenciamento de circulação já seria uma grande ajuda.
São Paulo, por ser o coração financeiro do País, tem um peso grande e isso reflete no comportamento das pessoas e no trÂnsito.
O paulistano teria que ser educado primeiro e ter outras vias de acesso além das ruas como por exemplo metro.
A cidade está saturada de carros, teria que haver uamreestruturação geral.
Esse modelo de trânsito apresentado funciona no sul e até no Rio mas em Sampa, tem outros agravantes.
Comentário por kelvin willian
eu achei esse site,pois fala sobre um trâsito super educado….
Comentário por selma
acredito que podem funcionar com maior eficacia em cidades pequenas, porem para funcionar em cidades grandes do brasil deve ser um trabalho a longo prazo.