“Poeira, lama, calor de derreter os miolos ou frio úmido, nas madrugadas, estradas de asfalto e terra, picadas na mata, desfiladeiros e planícies. Atravessar grandes cidades e pequenos vilarejos, em contato com povos hospitaleiros e de uma simplicidade emocionante. Tudo isso faz parte do Rally dos Sertões.”
Esta é a descrição que a própria organização dá ao Rally dos Sertões, uma das maiores competições automobilísticas do País. São 406 equipes disputando em quatro categorias (moto, quadriciclo, carro e caminhão), com muitas surpresas pelo caminho.
Representando a modalidade moto, lá estava o gaúcho Lucas Generosi. O piloto, que também é corretor de seguros, sabe e aplica muito bem a gentileza por onde passa e diz que é possível sim ser gentil em uma competição tão rústica e arriscada como essa. Vamos ver o que ele contou pro Trânsito+gentil?
Antes de qualquer coisa: Lucas, parabéns por representar muito bem o seu Estado, o País e a gentileza necessária em qualquer situação da vida. ;D
Acompanhe a entrevista
Trânsito+gentil: Lucas, qual é o seu preparo para enfrentar um dia cheio de aventura e dificuldades pela frente?
Lucas Generosi: Antecipadamente, é feita uma preparação física muito intensa: academia, bicicleta e muito treino com a moto. Em dia de prova, saio com a moto para conhecer o pessoal da cidade por onde o Rally passa. Eles nos transmitem uma energia muito boa. Durante o deslocamento inicial, que não é cronometrado, curto a paisagem, pois passamos por lugares maravilhosos e, neste caso, acompanhamos as normas de trânsito – o que nos permite esbanjar gentilezas. Na concentração da largada, procuro, sempre que possível, dar uma geral na moto para que tudo ocorra da melhor maneira possível. É um momento para interagirmos com competidores e equipes de apoio de todo o mundo.
É verdade que o próprio regulamento do Rally dos Sertões favorece a gentileza entre os participantes? Como isso acontece?
Em primeiro lugar, gostaria de passar a todos que, das modalidades que conheço, o Rally é um esporte onde 99,99% dos competidores são muito gentis uns com os outros. Por quê? Talvez por gentileza gerar gentileza: quando estamos “numa pior”, quem nos ajuda é um de nossos concorrentes. O regulamento favorece sim a gentileza. Somos monitorados por GPS para garantir que estamos seguindo as regras de trânsito durante os trechos cronometrados em vilas, cidades etc. Temos o que chamamos de “zonas de radar”, para que a população não corra nenhum tipo de risco enquanto a caravana passa. Outro exemplo é que, toda vez que paramos para ajudar nossos concorrentes, temos o tempo descontado.
Você presenciou algum acidente e precisou auxiliar no socorro ou recebeu algum auxílio de outro competidor?
Graças a Deus, nunca presenciei nada grave. Este ano, no final de uma especial cronometrada de 300 km, estávamos em três competidores em um pequeno intervalo e um deles acabou caindo, mas sem gravidade. De pronto, todos nós paramos para auxiliá-lo. Na linha de chegada, tivemos um agradecimento emocionado deste competidor por uma coisa tão simples, uma pequena gentileza nossa.
Com as suas declarações, nos pareceu errada a comparação que as pessoas fazem entre o trânsito das grandes cidades, com a expressão “rally urbano”. O que você acha que falta para que os motoristas sejam gentis quando estão ‘pilotando’ os seus veículos?
Para mim, a expressão “rally urbano” só se assemelha com o tipo de “piso” que temos em um rally oficial. Ou seja, a quantidade de buracos que temos em muitas cidades. Outra coisa é que um motorista, seja ele urbano ou rodoviário, deve dirigir com gentileza e não pilotar. Gostaria de ver aquele motorista menos gentil, aquele “apressadinho”, realmente pilotando uma moto ou um carro de provas e sendo cronometrado. Certamente, muitos iriam mudar o seu conceito de “pilotar na cidade”. Seria uma ótima ferramenta para transformar o trânsito em algo mais gentil.
No seu dia a dia, você também utiliza moto? Como você acha que são vistos e tratados os motociclistas no trânsito?
Não utilizo minha moto no dia a dia. Porém, acredito que gentileza gera gentileza. A única solução para esta “guerra” é a educação e campanhas de conscientização, como o Trânsito+gentil.
Fora das competições, você é corretor de seguros. Tem algo que é muito presente nestas duas atividades? A segurança e gentileza estão presentes no seu dia a dia?
A primeira coisa que posso salientar é a preocupação com a segurança. No rally, uso 13kg de equipamentos de segurança. Tudo o que existe de mais seguro no mundo. No meu automóvel, todos sempre usam o cinto de segurança. Aliás, a corretagem de seguro sempre me ensinou que devemos analisar os riscos antecipadamente. Sendo assim, sempre estudamos todas as possibilidades de risco de uma competição. No ramo de seguros, desenvolvemos muito o lado humano. Muitas vezes, estamos tratando com pessoas em situações de grande estresse, dor, dificuldade e isso nos prepara para as situações mais adversas. Exercito diariamente a gentileza, seja no meu dia a dia, no trânsito ou no rally.

Foto extraída do site: http://www.webventure.com.br
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Quem quiser mandar uma mensagem de apoio ou bater um papo com o piloto e corretor de seguros Lucas Generasi, é só enviar um email para lucas@generosi.com.br
E fique de olho no Trânsito+gentil. Iremos comentar mais sobre as futuras provas das quais o Lucas participará. ;D